segunda-feira, 11 de agosto de 2014

... remix... ou: o que é um autor?





Remix: combinar ou editar material já existente 
para produzir algo novo.


No texto "O que é um autor?" Michel Foucault(2001)leva a discussão sobre a autoria para as estruturas de funcionamento da sociedade, ou seja, sua questão é a trama de relações na qual a figura do autor estaria inserida.

A função autor é, portanto, característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no interior de uma sociedade (FOUCAULT, 2001, p. 274).




Foucault pergunta em que condições este autor foi possível e qual era a sua função, problematizando a questão da comercialização, das instituições, do estado e do perigo que representa o anonimato para o direito autoral. Este autor problematiza, também, o desaparecimento da personagem autor: 


Pode-se imaginar uma cultura em que os discursos circulassem e fossem aceitos sem que a função autor jamais aparecesse. Todos os discursos, sejam quais forem seu status, sua forma, seu valor, e seja qual for o tratamento que se dê a eles, desenvolveriam-se no anonimato do murmúrio. 


Não mais se ouviriam as questões por tanto tempo repetidas: “quem realmente falou? Foi ele e ninguém mais? Com que autenticidade ou originalidade? E o que ele expressou do mais profundo dele mesmo em seu discurso?” 


...além dessas, outras questões, como as seguintes: “quais são os modos de existência desses discursos? Em que ele se sustentou, como pode circular, e quem dele pode se apropriar? Quais são os locais que foram ali preparados para possíveis sujeitos? Quem pode preencher as diversas funções do sujeito?” e, atrás de todas essas questões, talvez apenas se ouvisse o rumor de uma indiferença: “que importa quem fala?” (FOUCAULT, 2001, p. 288)

domingo, 10 de agosto de 2014

percurso... 4:20

Corona, 2014, 4:20, píer Iemanjá Vitória ES.
Corona, 2014, banco 1, píer Iemanjá Vitória ES.

Corona, 2014, banco 2, píer Iemanjá Vitória ES.

Corona, 2014, banco 3, píer Iemanjá Vitória ES.

Corona, 2014, banco 4, píer Iemanjá Vitória ES.

Corona, 2014, banco 5, píer Iemanjá Vitória ES.

Corona, 2014, + mujica - polícia, píer Iemanjá Vitória ES.
Corona, 2014, sorria!, Vitória ES 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como olhar quando tudo ficou indistinguível, quando tudo parece a mesma coisa?

Nelson Brissac Peixoto, no artigo "O olhar do estrangeiro" (1988) nos provoca, ele critica o olhar do homem moderno e a sua própria relação com a realidade no mundo atual: imagética. O olhar atual, como metáfora da relação do indivíduo contemporâneo consigo mesmo e com o mundo é abordado como sendo superficial, saturado, banalizado,obsceno.

"Nunca a questão do olhar esteve tão no centro do debate da cultura e das sociedades contemporâneas. Um mundo onde tudo é produzido para ser visto, onde tudo se mostra ao olhar, coloca necessariamente o ver como um problema. Aqui não existem mais véus nem mistérios. Vivemos no universo da sobreexposição e da obscenidade, saturado de clichês, onde a banalização e a descartabilidade das coisas e imagens foi levada ao extremo. Como olhar quando tudo ficou indistinguível, quando tudo parece a mesma coisa?"


Centro de Vitória, ES (Corona)
Escultura "As quatro estações: Alegoria do Inverno" -
 Pedro e Ferdinando Gianordoli, 1912
Centro de Vitória, ES (Corona)

"Aqui tudo é linguagem, signo. Daí a hiper-realidade em que parece ter-se constituído a nossa realidade. Tradicionalmente, o pensamento ocidental fundou-se no princípio da representação: as imagens e os conceitos serviam para representar algo que lhes era exterior. Com a generalização da imagem, porém, o próprio princípio de representação deixa de funcionar. As imagens passaram a constituir elas próprias a realidade. Não se pode mais trabalhar com o conceito tradicional de representação, quando a própria noção de realidade contém no seu interior o que deveria representá-la. Torna-se difícil distinguir o que é real e o que não é. Neste universo feito de imagens, o real não tem mais origem nem realidade. Daí a sensação corrente de que estas fachadas ocultem um mundo verdadeiro que estaria por trás. Mas não há nada lá. Tudo só existe na superfície sem fundo da imagem."

Av. Fernando Ferrari, Vitória ES (Corona)
Centro de Vitória, ES (Corona)
Pilastra da Terceira Ponte, Vila Velha ES (Corona)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

rua da lama... propriedade de ninguém...

A relação entre a pixação e a apropriação está baseada na tensão entre o anonimato e a autoria:

Estes nomes ao avesso [...], têm uma verdadeira carga simbólica: elas são feitas para serem dadas, trocadas, transmitidas ou se religarem entre si indefinidamente no anonimato, mas um anonimato coletivo, no qual estes nomes são como termos de uma iniciação, deslocando-se de um pólo para outro e trocando-se tão bem que acabam não sendo, a exemplo da língua, propriedade de ninguém (BAUDRILLARD, 1996, p. 319).




stickers rua da lama, Vitória ES