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domingo, 12 de julho de 2015

Consumindo a vida...

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, no livro “Consuming life” analisa a sutil e gradativa transformação das pessoas em mercadorias. A própria subjetividade vira mercadoria.


“A ‘subjetividade’ do sujeito, e a maior parte daquilo que essa subjetividade possibilita ao sujeito atingir, concentra-se num esforço sem fim para ela própria se tornar, e permanecer, uma mercadoria vendável” (Bauman, 2008, p. 20).


Bauman examina ainda o impacto da conduta consumista em diversos aspectos da vida social: como a despolitização da esfera pública, a substituição do cidadão pelo consumidor, e a crescente individualização da identidade.





“Numa sociedade de consumidores, tornar-se uma mercadoria desejável e desejada é a matéria de que são feitos os sonhos e os contos de fadas” (BAUMAN, 2008, p.22).

O artista canadense I Heart espalhou pelas rua de Vancouver uma série de stencils críticos sobre a obsessão pelo mundo virtual.

I Heart
I Heart
I Heart
Bauman, Zygmunt. A Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

... debaixo da ponte...


Debaixo da Ponte

Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta d’água, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte.


À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne.



Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe frequentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência.

Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte.

Debaixo da ponte os três prepararam comida. Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores.

Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica.

Há duas vagas debaixo da ponte.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Debaixo da ponte. In: Obra Completa,Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1967, p. 896-897.


Debaixo da Ponte Ayrton Senna, que une o bairro de Jardim da Penha (parte continental) ao bairro Praia do Canto (na ilha) em Vitória, ES.

domingo, 9 de novembro de 2014

east side gallery... muro de Berlim... 25 anos depois...

O mundialmente famoso muro de Berlim, que dividia a cidade em Ocidental e Oriental, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos: o bloco capitalista e o bloco comunista. A história do muro de Berlim começa com o fim da Segunda Guerra Mundial.

No total o muro de Berlim tinha 155 quilômetros de extensão, sendo que 43,1 km de extensão passava no centro da cidade. Ao longo do muro de 3,6 metros de altura havia 302 torres de observação e 20 bunkers e e a patrulha era feita por cães e guardas. 

Em 09 de novembro de 1989 o muro de Berlim começa a ser derrubado

East Side Gallery é uma galeria de arte ao ar livre com 1.316 metros, situada no lado leste do antigo muro de Berlim, que foi preservado da demolição. Está localizada próximo ao centro de Berlim, na rua Mühlenstraße, ao longo das margens do rio Spree. São mais de 100 obras, é possível que seja a maior e mais duradoura galeria ao ar livre do mundo.




Beijo fraterno de Dimitri Vrubel



Günther Schäfer, Pátria

Algumas cabeças, Thierry Noir.


garbage dump...