Mostrando postagens com marcador autoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autoria. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de outubro de 2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

foi... já era...

Pixação muro de condomínio em Jardim da Penha
 Vitória ES
Se há um conceito que eu gosto na arte de rua é a sua perenidade ... quando a arte ousou sair do Museu tornou-se, por consequência, “pública”. A adoção dos espaços públicos imprime novas questões: a imperceptibilidade da obra de arte como tal, o artista-anônimo, a efemeridade da obra e a sua dissolução na cidade. A obra, antes substantivo/objeto, constitui-se agora como verbo/processo, uma vez que a relação entre a arte e o lugar não se dá mais pela permanência física, mas pela experiência da impermanência...

Há, na arte de rua, a percepção de uma data de validade. Há a noção de que somos todos substituíveis, finitos. Há uma sugestão do nosso tempo atual em que as pessoas não idolatram obras de pintores... 
Ou não... tem sempre alguém $$$ querendo quebrar o muro e levar um Banksy para casa...

É preciso romper com a ideia original de que “remover o trabalho é destruir o trabalho”... O artista utilizou a “linguagem da cidade” para provocar o exercício da reflexão num público anestesiado. Por que o próprio artista deseja manter a “aura” do objeto por ele produzido?

À rua é preciso propor... nada mais... Não devemos corrigir o pedestre-espectador, nem mudar seu ritmo, que deve continuar com o trato da paisagem cotidiana...

A rua não aceita ideias nem teorias estranhas a si mesma. Arte de rua não é colocar o velho para tomar sol ...  A não existência da obra, a não necessidade de estar presente, a efemeridade de estar, a possibilidade “aberta” de concretizar atos diferentes dos propostos nos converte a todos em criadores.

A obra desencadeia, não limita...  como afirma Duchamp “é o espectador quem faz a obra”. O significado de uma obra de arte reside não na sua origem, mas na sua destinação... 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

neurose...

(O Trágico dilema)

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

Mário Quintana


sexta-feira, 15 de maio de 2015

... pensa que sou eu?

O olho da rua vê
 o que não vê o seu. 
Você, vendo os outros,
 pensa que sou eu? 
Ou tudo que teu olho vê 
você pensa que é você?
 (LEMINSKI, 1990)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

vemödalen...


Vemödalen: frustração de fotografar algo sensacional... 
quando milhares de outras fotos iguais já existem...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

atropelo é amor... Banksy + Robbo


Um dos principais acordos entre pixadores é: um não "atropela" o trabalho do outro! Atropelar... nesse universo... é o ato de passar por cima da intervenção visual alheia. É pixar sobre o pixo do outro! Aquele que atropela a marca do outro não é bem visto. O atropelo é considerado um desrespeito, uma ofensa. Para alguns... é um convite à guerra. Para outros... atropelo é amor!

Banksy versus Robbo...
A briga foi ensaiada?



Robbo é considerado um dos pioneiros na street art, na década de 1980 sua assinatura era onipresente nos trens e canais de Londres. 


Em 1985, Robbo deixou sua assinatura numa parede ao lado do Canal Regent, que só era acessível pela água. Chamada de "Robbo Incorporated" ao longo dos anos se tornou a peça mais antiga de graffiti em Londres. Praticamente todas as suas outras obras foram gradualmente removidas dos trens e paredes de Londres, exceto esta peça. 


Robbo, Canal Regent, Londres, 1985.


Robbo, Canal Regent,  Londres, 2006... com atropelos...

Em dezembro de 2009, Banksy atropela a assinatura de Robbo, uma das últimas marcas do pixador em Londres, considerada um ícone da street art. Isso causou a ira de muitos grafiteiros de Londres, que consideraram uma falta de respeito o que Banksy havia feito.


Banksy, apropriação de Robbo, 2009.

Banksy quebrou uma das regras clássicas da street art. O atropelo enfureceu Robbo levando-o a sair de sua "aposentadoria" e revidar o ataque. Mas... essa questão já era antiga...

O dilema Robbo versus Banksy deu origem ao documentário Graffiti War. A briga foi ensaiada? Eu penso que sim, os dois ganharam... 



Robbo, apropriação de Banksy.


Banksy, apropriação de Robbo.

A parede foi pintada de preto (quem?). Robbo, então, pintou o famoso Manda-Chuva com a legenda “RIP Carreira de Banksy”.



A parede é pintada novamente de preto. Banksy continua seu ataque a Robbo. Ou ataque a arte e suas regras?

Em abril de 2011 Robbo sofreu um acidente e ficou em coma. Em novembro do mesmo ano Banksy o homenageou na parede do Canal Regent, com uma representação em preto e branco do original de Robbo e uma lata de spray.



Team Robbo,  Homenagem a Robbo no Natal de 2011,  restauração (?).

Robbo nunca retornou do coma e morreu em julho de 2014. Veja o documentário Graffiti War...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

... remix... ou: o que é um autor?





Remix: combinar ou editar material já existente 
para produzir algo novo.


No texto "O que é um autor?" Michel Foucault(2001)leva a discussão sobre a autoria para as estruturas de funcionamento da sociedade, ou seja, sua questão é a trama de relações na qual a figura do autor estaria inserida.

A função autor é, portanto, característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no interior de uma sociedade (FOUCAULT, 2001, p. 274).




Foucault pergunta em que condições este autor foi possível e qual era a sua função, problematizando a questão da comercialização, das instituições, do estado e do perigo que representa o anonimato para o direito autoral. Este autor problematiza, também, o desaparecimento da personagem autor: 


Pode-se imaginar uma cultura em que os discursos circulassem e fossem aceitos sem que a função autor jamais aparecesse. Todos os discursos, sejam quais forem seu status, sua forma, seu valor, e seja qual for o tratamento que se dê a eles, desenvolveriam-se no anonimato do murmúrio. 


Não mais se ouviriam as questões por tanto tempo repetidas: “quem realmente falou? Foi ele e ninguém mais? Com que autenticidade ou originalidade? E o que ele expressou do mais profundo dele mesmo em seu discurso?” 


...além dessas, outras questões, como as seguintes: “quais são os modos de existência desses discursos? Em que ele se sustentou, como pode circular, e quem dele pode se apropriar? Quais são os locais que foram ali preparados para possíveis sujeitos? Quem pode preencher as diversas funções do sujeito?” e, atrás de todas essas questões, talvez apenas se ouvisse o rumor de uma indiferença: “que importa quem fala?” (FOUCAULT, 2001, p. 288)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Richard Prince... apropriação... praticando sem licença...

Richard Prince
Nascido no Panamá (seus pais são americanos), é uma referência quando se fala em apropriação. São dele as obras que levam o icônico cowboy da Marlboro para o museu, como obras de arte com alto valor de mercado, suscitando inúmeras críticas e reflexões em torno das noções de autoria e originalidade das obras de arte.


Richard Prince, série cowboy americano.

Richard Prince, série cowboy americano.

É dele também a polêmica pintura em cima de uma foto da atriz Brooke Shields muito nova, destacando sua conotação sexual.

Richard Prince começou sua carreira no setor de anúncios da revista Times, o que lhe permitiu entrar em contato direto com o mundo da publicidade e com um enorme arquivo de imagens. Em meados de 1970 ele começou a fazer apropriações deste tipo de conteúdo, muitas vezes inserindo colagens e pintura.

Prince é controverso exatamente por se apropriar do trabalho de outros artistas. Em 2008 começou a responder um processo, quando Patrick Cariou reclamou os direitos autorais de suas fotografias de rastafáris jamaicanos, usados por Prince numa exposição na Galeria Gagosian. A justiça americana inicialmente ficou ao lado de Cariou. Agora em 2013, a decisão anterior foi considerada incorreta, porque Prince teria usado "expressão diferente" e uma "nova estética, com resultados ciativos e distintos" dos de Cariou.



À esquerda, foto da série Yes, Rasta de Patrick Cariou.
À direita, pintura da série Canal Zone de Prince

É interessante citar um texto redigido por Prince em 1977, onde ele definiu seu processo criativo:

Praticando Sem Licença, 1977


“A re-fotografia é uma técnica para roubar (piratear) imagens que já existem, estimulando-as em vez de as copiar, ‘gerindo-as’ em vez de as citar e reproduzindo o seu efeito e aparência do modo mais parecido com a primeira vez em que surgiram. Uma semelhança mais do que uma reprodução, uma re-fotografia é essencialmente uma apropriação de algo que é já por si real sobre uma imagem existente e uma tentativa para adicionar esta realidade em algo mais real, uma realidade real e virtuosa que tem a oportunidade de parecer real, mas uma realidade que não tem qualquer hipótese de se tornar real. A técnica é uma atividade física que coloca um indivíduo atrás de uma máquina fotográfica, um sítio onde não se pode ver nada para além da imagem capturada, um local que dá a oportunidade de ver exatamente como o público eventualmente verá a imagem como um objeto e um local a partir do qual um indivíduo se pode identificar tanto com o público como com o autor.”



Seus assuntos prediletos são: A cultura de massa, a identidade americana, subculturas, anúncios e entretenimentos. Trabalha com séries tais como: Cowboy, Gangs, Joke Painting, Celebrities, Nurse Painting.

É representado pela Gagosian Gallery, Nova York.